Doenças antigas voltam a assustar: a vacinação continua sendo necessária

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Índices de imunização estão em queda, de acordo com o Ministério da Saúde

Por: Dr. Paulo Roberto Silva Lucena Patriota
Pediatra do Hospital Santa Clara

O número crianças vacinadas no Brasil apresentou nova queda em 2017 e atingiu o número mais baixo do País nos últimos 16 anos. Todas as vacinas indicadas para bebês não alcançaram a meta de imunização. Neste ano, doenças que estavam erradicas voltaram a alertar os brasileiros. Com a falta de vacinação, crianças e até adultos podem, sim, contrair doenças facilmente preveníveis e espalhá-las cada vez mais.

Notícias divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) nos alertam sobre uma destas doenças: o sarampo. Provocado por um vírus, o sarampo acomete, principalmente, crianças (especialmente aquelas com menos de cinco anos de idade) e adultos com mais de 30 anos. O contágio se dá pela própria fala ou por tosse, por exemplo. Os sintomas são comuns a outras infecções virais, entre eles: febre, conjuntivite, coriza e tosse, evoluindo com manchas brancas (às vezes com tons azulados) por dentro da bochecha e manchas vermelhas pelo corpo. É uma doença extremamente contagiosa e mortal devido a suas complicações.

Entre 21 de agosto e 21 de setembro deste ano, houve um aumento de 32% dos casos de sarampo confirmados no continente americano! Aqui no Brasil, alguns estados da região norte se encontram em “surto epidemiológico”, mas outros estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) também têm casos confirmados. Em Minas Gerais ainda não existem casos confirmados. Infelizmente, não existe tratamento específico e a vacinação é o melhor meio de prevenção.

Outra doença que tem assustado os brasileiros é a Rubéola, erradicada no Brasil desde 2010, de acordo com o Ministério da Saúde (MS). Na Europa, entretanto, em 14 países ainda é considerada endêmica (França e Itália, por exemplo); ou seja, existem casos da doença. Com a globalização, viagens para Copa do Mundo, viagens de férias para Disney e a própria Europa, o risco de contágio aumenta, principalmente porque a taxa de vacinação em nosso estado está abaixo de 70%.

Crianças e adultos de quaisquer idades, negros ou brancos, ricos ou pobres, todos permanecem expostos e correm o risco de transmitir (ou até mesmo adquirir) a doença. Também provocada por vírus, é transmitida através da fala, tosse e secreções. Os principais sintomas são febre, gânglios aumentados (principalmente no pescoço e atrás da orelha) e manchas vermelhas pelo corpo. Torna-se mais grave quando acomete gestantes, pois pode provocar aborto ou causar lesões graves no feto. Não há tratamento próprio para a rubéola. A Vacina conjunta contra a poliomielite e o sarampo – Tríplice viral –disponível na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) é o método mais eficaz de prevenção.

Inúmeras as hipóteses que tentam justificar este fato, sejam por diminuição dos investimentos em saúde pública, imigração de populações nascidas em locais cujo controle vacinal não está adequado e – até mesmo – o descaso dos pais/cuidadores sobre vacinação dos filhos. Independente da causa vale a pena a reflexão individual do que podemos fazer para melhorar esta situação antes de culpar os outros. Protejam-se e protejam seus filhos!

 

 

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